Sei lá e pans

monsterdon

Mais uma vez o #monsterdon foi invadido por uma produção independente. Dessa vez temos um filme que alega que a terra receberá o visitante mais esquisito que já viu. A julgar pelo cartaz do filme, há pouco espaço para discussão.

Cartaz do filme

Bem, vamos ao costumeiro aviso de SPOILERS Em O Homem do Planeta X (the Man From Planet X) de 1954, uma simpática e enevoada vila em uma ilha escocesa é o local onde o Professor Elliot e sua filha Enid instalaram um telescópio para acompanhar a passagem de um planeta errante pela terra. Porque instalar um telescópio em uma ilha constantemente enevoada? Bem, deve ser pra dar um clima de suspense e não para conseguir uma bela visão do céu.

Que belo local
Um ótimo local para se observar o céu.

Junto com o professor e sua filha há o Dr Mears, que aparentemente já teve problemas com a justiça, conforme conta o nosso protagonista, John Lawrence, um jornalista americano que chega a ilha a convite do professor e sua filha.

Talvez tenha sido por conta da versão colorizada que assisti, mas esse é realmente um filme econômico! Dava pra ver claramente que a maioria dos cenários externos eram telas pintadas, quase como uma apresentação de teatro.

isso não é de verdade

Pelo menos neste filme temos uma participação feminina um pouco mais ativa, pelo menos na primeira metade do filme. Claro, ainda há a típica “donzela em perigo”, mas pelo menos não é tão clichê quanto costuma ser em filmes dessa época.

Enfim, logo temos a chegada de uma temível astronave. Só que ela não é temível, é a té razoavelmente pequena, parecendo um sorvete na casquinha que caiu no chão

bela aterrisagem
Não foi um pouso macio

Logo somos apresentados a verdadeira estrela do filme, só que como a nave, ela não é tão aterrorizante quanto imaginávamos. De fato, parece uma máscara de papel machê dentro de um grande capacete em forma de bolha transparente. Ah, nada como efeitos práticos

não tem pão velho
Vá embora!

Ao se encontrar com o alienígena, Enid corre de volta a torre, castelo, enfim a morada deles entre as brumas para contar ao pai o que viu. Logo O Professor e Jack retornam ao local, para serem rendidos por um alienígena que aparentemente não sabe regular seu cilindro de ar e logo desmaia. Mas com a ajuda de Jack e o Professor ele se recupera e logo via de bom grado a masmorra (hein?) da torre, onde o professor e Dr Mears tentam estabelecer contato com a criatura.

enfim, não vou me ater aos detalhes, mas Dr Mears tenta roubar os segredos da tecnologia da criatura, mas ela foge e sequestra Enid e outros do vilarejo. Por alguma razão, nesse meio tempo o carro de Enid fica rosa, talvez ela tenha ganhado da Marykey.

Com todos sendo sequestrados e hipnotizados, Jack, coma ajuda do delegado local passam uma mensagem pedindo ajuda para enfrentar o alienígena. Logo chega a Scotland Yard e os milicos, e dão um prazo para que Jack tente resgata-los antes de destruir a nave. Jack consegue se aproximar o bastante para pegar informações com um hipnotizado Dr. Mears de que a criatura veio do planeta X para estabelecer o primeiro passo para uma invasão. Jack resgata todo mundo, mas Mears corda de seu transe e tenta voltar a espaçonave antes dessa ser destruída pela bazuca do milicos. No final das contas o tal planeta X passa pela terra sem maior perigo e o filme termina por ai. Não é um grande filme, mas é divertido e se você estiver de bom humor, pode render boas risadas.

Pontos positivos

  • o Filme é relativamente curto, só 70 minutos
  • uma personagem feminina razoavelmente ativa durante o filme

Pontos negativos

  • um alienígena que é basicamente uma máscara de papel machê
  • Por que observar o céu num lugar enevoado?
  • o carro da protagonistas ter sido um prêmio da Marykey

Serviço

The Man from Planet X está disponível no Internet Archive e tem 100% no tomatômetro (vai entender) e 39% no pipocômetro do Rotten Tomatoes

#monsterdon #themanfromplanetx #terror #horror #filme #opiniao #review

Uma coisa bem comum nos filmes que assistimos no #monsterdon é a trilha sonora anticlimática. É muito estranho estar assistindo um filme que, supostamente, deveria nos dar medo, com uma animada fanfarra já rolando nos seus créditos iniciais. Não que isso não possa acontecer, claro! Deve ter acontecido, mas me parece que hoje em dia isso é feito melhor, a gente fica mais tenso desde o inicio do filme, já ficamos no “clima” por assim dizer.

“Grizzly, a força assassina” (Grizzly, 1976) é mais um exemplo dessa estranha predileção desses cineastas de terror de segunda categoria. Neste filme, temos um alegre parque, tipo reserva natural tipicamente americano, onde as pessoas vão acampar entre as montanhas e florestas de pinheiros e, claro, onde tantos filmes de terror começam. O filme é um claro reaproveitamento da ideia de “Tubarão” (que admito, não sei se é original), mas mudando de bicho e local.

Cartaz do filme

Para não perder o costume, aqui vai o costumeiro aviso de SPOILERS a frente.


Agora você não me escapa

Logo no inicio do filme, temos duas garotas acampando no parque que são atacadas, em plena luz do dia pelo nosso peludo protagonista, um urso pardo de quase 5 metros e meio de altura e quase uma tonelada de peso, segundo a sinopse do filme. infelizmente nesse momento não vemos nosso estimado caniforme. Mas pelo menos temos a “urso-visão” como eu batizei em que podemos ter o ponto de vista do ursão. Pelos sons que ele faz, certamente uma bela sinusite eve tê-lo deixado assim para ele resolver curtir atacar os campistas por ali.

gostaria de ouvir a palavra do Urso do céu
* “Veja se estou com bafo, por favor.” *

Com esse ataque somos apresentados ao time de heróis locais, os guardas florestais liderados por Michael Kelly, nosso fumante protagonista. Alias, nesses filmes dos anos 70 sempre me surpreendem pela quantidade de cigarros e bebida que os personagens consomem. Não sou um membro dos rosacruzes para pregar, mas acho que isso é um sinal dos tempos de como essas coisas hoje em dia são vistas com outros olhos. Também temos o piloto de helicóptero Don e o naturalista Arthur. Havia uma fotografa que devia ser o interesse romântico de Kelly, mas ela desaparece do filme da metade pro final, algo razoavelmente típico e misógino desses filmes. E já que estamos no assunto, também não temos nenhum preto ou qualquer outra etnia. E isso porque logo no inicio do filme Don avisa que aquela é uma área de nativo-americanos.Nesse sentido o filme é 100% WASP

O filme também tem citações memoráveis (só que não). em certo ponto, uma criança é atacada e perde parte da perna. Ao ser resgata, alguém pergunta a Kelly, o chefe da guarda florestal se a vítima está bem e ele responde “a parte dela que sobreviveu, sim”

sobrevivi e morri
Eu sobrevivi a um ataque de urso para morrer na cena seguinte. De um novo ataque de urso

Bom, finalmente depois de deixar algumas vítimas pelo caminho, incluindo o naturalista amigo de Kelly, escapar de caçadores e “derrubar” um helicóptero (o.k., o helicóptero estava no chão, mas ele atacou e inutilizou o helicóptero, aparentemente) nosso querido primo do Ursinho Puf é desintegrado com um tiro de RPG (uma espécie de bazuca, para os leigos) em um típico final apressado destes filmes.

RPG
Tenho quase certeza que essa não é uma forma adequada de se manusear uma arma de fogo

O.k., esse é fim desse suposto tubarão que se passa na floresta. Não contente, o filme depois gerou uma continuação chamada “Grizzly 2: Revenge” de 1983 com um elenco premiado, incluindo George Clooney, Laura Dern, Charlie Sheen e John Rhys-Davies. Com certeza não foram lançados ao estrelato por conta desse filme.

Pontos positivos

  • O filme não enrola muito, logo o urso ataca!
  • Aproveitaram bastante o aluguel do helicóptero. É sempre bom ver um dinheiro bem-investido nessas produções.
  • visão-urso compensa a demora em aparecer.

Pontos negativos

  • o pobre urso arfa como um asmático
  • o interesse romântico do protagonista “some” da metade pro fim
  • bazucar o urso foi sacanagem

Serviço

Disponível em inglês no youtube de forma gratuita.

Grizzly tem 45% no tomatômetro e 32% no pipocometro do Rotten Tomatoes

#monsterdon #grizzly1976 #opiniao #filme #terror #urso

Como de costume, as votações para o Monsterdon nos levam muitas vezes a filmes extremamente obscuros. Qualquer dia vou propor um filme do Afonso Brazza ou do Zé do Caixão para esse pessoal.

Entretanto, não foi dessa vez ainda, e assistimos a um genérico monstro do pântano em “Bog” de 1979. Um filme de horror independente, com uma qualidade de VHS do inicio dos anos 80

Cartaz do filme

A premissa do filme é muito simples. Durante uma pescaria com dinamite(!) uma criatura da era glacial e despertada e passa a aterrorizar um lago. A partir daqui seguimos para o inevitável aviso de —–===SPOILERS===—- O filme começa a partir dessa premissa incrível, com o nosso indômito pescador sendo derrubado do barco, enquanto algo corre na floresta.

pescando com dinamite
Ah sim, nada como dinamitar o lago

Depois somos jogados para tomadas aéreas que parecem de arquivo mostrando pessoas se divertindo no lago, casas, etc, até nos focarmos numa velhíssima station wagon toda equipada cruzando as estradas cheia de mato para todo o lado, enquanto toca “Walk with me”.

Finalmente a canção e a as imagens acabam e somos introduzidos a dois casais de meia idade extremamente irritantes que saltam do carro e encontram o barco abandonado com dinamite. Os maridos “espertões” decidem tomar o carro e montam acampamento.

duas mulheres conversando
As esposas.

Obviamente, a partir daí começam os ataques de uma estranha criatura, que deixa suas vítimas completamente sem sangue e ataca especialmente mulheres. Logo a polícia entro ano caso e somos introduzidos ao que pode ser considerado o trio principal de protagonistas, o Xerife, Dr Brad que parece ser algo como um prefeito e sua esposa, a legista Ginny. Ao contrário do que ficaríamos acostumados, especialmente em filmes slashers dos anos 80 e 90, aqui não temos os famosos adolescentes transantes na floresta enquanto são caçados e mortos um a um. Não, se tem uma coisa que podemos dar o braço a torcer nesse filme é que não há etarismo. Não sei dizer se nessa época são pessoas pareciam mais velhas do que realmente eram, mas grande parte d elenco parece estar na casa ali dos 50 anos de idade. Amigos do diretor? Atores nessa idade eram mais baratos? Vai saber.

casal
“Droga Brad, eu sou legista, não atriz!”

Bom, o filme continua se desenrolando, com os viúvos das primeiras vítimas, os dois manés do inicio do filme exigindo que a polícia faça algo. O Xerife todo orgulhoso manda enviarem explosivo plástico para o lago e dá o caso como resolvido. Ledo engano, logo ele ouve tiros, e os dois manés são as mais novas vítimas, junto com um dos policiais. Enquanto isso, por alguma razão entramos num interlúdio romântico entre o nosso casal de protagonistas de meia idade, Dr Brad e Dra Ginny. Felizmente não precisamos vê-los chegar nas vias de fato

boston medical group “O Boston Medical Group pode ajuda-los”

No meio dessa toada, aparecem dois mergulhadores, amigos do Xerife que se propõe a mergulhar no lago para ver se encontram algo. Eles encontram uma coisa que parece ser um monte de bolhas feitas de garrafa pet com algumas algas, mas são rapidamente atacados pelo monstro e pela trilha sonora, com uma fanfarra bem genérica para esse tipo de filme.

Rapidamente, nosso par de cientistas descobrem que se tratam de ovos da criatura e resolvem chamar mais um amigo cientista para vir dar uma olhada. Enquanto isso a criatura invade o laboratório na calada da noite para recuperar seus “bebês”.

A poluição vai acabar com esse lago
Ovos da criatura? Poluição?

Bom, nosso audacioso casal de cientistas, com o apoio de populares enfurecidos desenvolve um plano para capturar a criatura espalhando um cheiro similar a sangue na floresta. Funciona, mas o Xerife resolve dar uma de caubói e acaba morto pela criatura. Uma estranha eremita que vivia perto do lago tenta alertar a criatura da armadilha, mas é morta pela polícia, num claro excesso de violência policial. Enfim, a criatura é capturada por conta de alguma substância química similar a espuma desenvolvida pelo nosso casal de gênios. Finalmente podemos ver alguma coisa da criatura, que é capturada com vida.

monstro espumado
Nosso monstro pantanoso, num belo banho de espuma

Com achegada de mais um cientista-piloto (afinal, chega de hidroavião) nosso grupo formula a louca teoria de que a criatura havia inoculado a eremita da floresta para, de alguma forma “compatibilizar fluídos corporais” (parece cantada barata) e se reproduzir. Infelizmente o filme só para quando a criatura morre! Eventualmente ela escapa e captura Ginny, possivelmente para arrumar uma nova esposa de monstrinhos.

ginni
“Qualé Ginny, venha conversar...”

Mas ela é salva pelos nossos não tão jovens cientistas quando era levada ao pântano pela criatura, que é morta quando um dos policiais choca sua viatura coma criatura e essa começa a pegar fogo. Aparentemente, monstros do pântano são altamente inflamáveis quando sofrem uma colisão.

Tudo resolvido, mas no fundo do lago restam os ovos da criatura, e somos provocados com um “the end?”. Felizmente, isso parece ficar só na provocação e não temos um “Bog 2' ou “O Retorno de Bog”

Pontos positivos

  • é um filme mais bem movimentado. O monstro ataca bastante.
  • Temos um filme inclusivo no sentido etário da coisa. No sentido racial temos um ator negro apenas e que morre rapidamente.
  • A criatura tem uma bela sonorização

Pontos negativos

  • A qualidade do filme em si é sofrível, não sei se pela qualidade da cópia que assisti ou se pelos equipamentos que filmaram.
  • as atuações (se é que podem ser classificadas assim) são sofríveis, junto com diálogos deprimentes

Serviço

Eu peguei uma cópia que “caiu do caminhão”, mas segundo o Just Watch pode ser assistido no Prime Vide.

Bog tem 14% no pipocômetro do Rotten Tomatoes

#monsterdon #opiniao #filme #bog #bog1979 #terror #horror #monstro #pantano